quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Pausa para enlouquecer

Porque a vida exige que a gente seja feita de aço, quando somos feitas de carne e osso. Porque viver é esse eterno quebrar-se e também ter que juntar os próprios cacos e se recompor; rasgar-se e se remendar. Porque seu amor não foi retribuído. Porque você não é capaz de conter a dor de um filho. Porque você não tem controle sobre seu futuro. Porque às vezes não consegue controlar nem a si mesma. Porque as pessoas vivem te julgando. Porque você tenta suprir as expectativas dos outros para não ser tão julgada. Porque cada pessoa é uma verdade parcial, um personagem que você inventa para si mesma. Porque o bem que você quer, não faz, mas o mau que não queria fazer, é esse o que acaba fazendo. Porque você não se deixa em paz. Porque você ama e as pessoas te amam de outro jeito. Porque você faz o seu melhor, mas aquilo que não fez é o que vão apontar. Porque você constrói castelos de areia mesmo na vida adulta. O vento bate e vai levando tudo aos poucos. Porque você convive a vida toda com uma pessoa e, do nada, tem que ver a pessoa dentro de um caixão sem vida. Porque uma pessoa com vida entra em estágio de putrefação. Porque você precisa conviver com isso. Porque as verdades geralmente são as coisas mais dolorosas de serem ouvidas. Porque existem outras pessoas que você precisa matar em vida, aquelas mortes que você tem que fazer no coração e na mente. Porque a vida nunca espera para que você se recomponha. Ela fica ali, exigindo de você insensível à sua dor. Porque o assaltante levou a bolsa da mulher na rua, os cachorrinhos que a vizinha criava com tanto amor, mas também leva sua credibilidade no mundo e nas pessoas junto com ele. Porque isso te dá pânico. Porque você faz o seu melhor mas não é reconhecido. Porque você sofre por um filho e sabe que esse amor às vezes nem é retribuído. Porque você sabe que vai morrer e os outros que estão ao seu redor também, mas nunca está preparado para isso. Porque você sofre um tempo enorme com coisas que não farão sentido algum pela frente. Porque você tem mil coisas a fazer e não tem força para mover uma palha. Porque a vida parece um conta-gotas que só cobra sua conta. Quando se viu, já se está com quase 40. Porque o tempo passa, mas também porque ele não passa e também porque não volta. Porque você não pode voltar para fazer as coisas diferentes e precisa aceitar seus erros. Porque presença pode se tornar sufocante. Presenças também podem ser ausências presentes. Porque às vezes se está rodeada de pessoas, mas se está só. Porque você precisa de cédulas de papel para viver. Porque você estuda uma vida toda pensando em um dia viver, usufruir. Daí a vida passa. Porque você acredita que estudar, conseguir um bom emprego, é vencer na vida. Porque nunca se sabe o que vai acontecer daqui a um minuto. Porque se quer ficar, mas se quer sair. Porque quando se conquista algo, passa a não fazer mais sentido.




Por isso entendo as fugas. Ouvir música é fugir. Dançar é fugir. Malhar até queimar a carne é fugir. Às vezes o músculo precisa doer para evitar a consciência. Correr, caminhar, saltar, é fugir. Cantar é fugir. Beber é fugir, comer também. Ler é fuga. Dormir é fuga. Enlouquecer é fuga. Beijar e transar pode ser fuga. Drogar-se é fuga. Meditar é fuga. Rede social é fuga. Desabafo é fuga. Religião é fuga. Fugir faz parte. É o ingrediente necessário para nos mantermos vivos. 

sábado, 4 de novembro de 2017

Conselhos à mãe que fui no primeiro mês de vida do meu filho

Se eu pudesse aproximar-me de mim mesma com as experiências que tenho hoje, eu me diria muitas coisas. A primeira delas e que eu não dei importância quando ouvi de outras mães: VAI PASSAR! As inúmeras vezes que você irá acordar durante a madrugada, as inúmeras fraldas trocadas, o choro incontido do bebê pelo leite que não descia, o seu choro porque o leite não descia, a impossibilidade de movimentar-se para acudir o choro do bebê por conta das dores da cirurgia... TUDO PASSA!



Na sala de cirurgia nascerão duas pessoas, um bebê e uma mãe. Você vai ter que aprender a amamentar, porque não é simplesmente colocar o bebê no seu peito. Terá que aprender a ler os sinais dele, o choro. Com isso, aprender o que é fome, fralda suja, vontade de dormir, de mudar de posição, cólica ou desejo de colo.



Não pense no futuro, nas coisas que tem para fazer, nos projetos que ainda pensa em realizar. Não se martirize com isso, porque simplesmente não dá para pensar em nada disso agora. Simplesmente viva o que foi esperado por nove meses. Use a licença até a última gota, pois ela serve para isso mesmo. 



Os outros é o que menos deve importar nesse momento. Educação vem em segundo lugar (outro conselho que ouvi). Então, não se constranja de dizer que não pode receber visita quando estiver exausta da longa noite insone; de estabelecer limites, regras e horários. Tudo porque, em primeiro lugar, vem a criança e você. Os outros que entendam! Quem te ama e se importa com vocês, certamente vai entender.



Para você, o bebê é a novidade. Para ele, o mundo todo é uma novidade de difícil adaptação. Então, entenda como todo esse ambiente é estranho, diferente e estressante. O choro é a única forma dele se comunicar. Não se desespere com ele!



Respira, inspira, não pira! Você deveria repetir essa frase para si mesma várias vezes ao dia, como um mantra. Respirar fundo a cada palpite mal colocado, a cada incompreensão, a cada falta de bom senso e de educação. Também permita-se pirar se algo te incomoda. Já são muitas coisas para administrar entre você e o bebe para ter que lidar com a loucura dos outros.



Não pira, menina! Se a maternidade muitas vezes é fardo, também pode ser diversão. Então, permita-se a oportunidade de reviver a infância. Se for para cantar, que seja alto, maior que a sua voz interior te culpando, te fazendo pensar demais. Se for para dançar, que pule, rebole, o corpo reviva coreografias aprendidas na infância, a dor da dança seja maior que resquícios de dor da cesárea. Entre na dança! Se for para fazer o bebê rir, se faça de palhaça!



Ser mãe é ter que se envolver... Na dança, na brincadeira, na dor. Para cada estágio, uma evolução. Haverá o momento de apenas balançar chocalhos, mas haverá o momento de montar legos, quebra-cabeças e jogos de tabuleiro. Haverá o tempo de falar perto dele. Converse mais, tira a tua timidez, a tua inabilidade com criança. Ora, canta, desabafa, chora, mas fala!




Você não pode ser diferente. Se errou em algumas coisas, acertou em outras. Os seus erros foram tentando acertar. A maternidade tem sempre disso, de coisas que pecamos por um lado tentando fazer o melhor que podemos. O meu melhor foi isso, pequeno.  

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Feminismo não é religião!

O feminismo não deve ser visto e exercido como uma religião: precisamos catequizar as pessoas e torná-las feministas. Feminismo, definitivamente, não é religião. Nosso projeto de sociedade não está assentado em outros planos do cosmos, mas sim no mundo terreno, na sociedade atual. As mudanças que queremos para o mundo devem estar plantadas aqui mesmo, no chão da realidade. O mundo ideal não está num plano superior, divino, inumano; ele pode e deveria estar aqui, fincando raízes na Terra. Talvez esse plano ideal nem precisasse mais do feminismo, pois nele as pessoas tratariam umas às outras com respeito.

Nosso intuito não é catequizar ninguém, nem mulheres, nem homens, nem antifeministas. Quando falamos que mulheres deveriam ser atingidas pelo feminismo é o mesmo que dizer que mulheres deveriam saber enxergar as amarras de violência, de abusos a que estão submetidas. Também não é um discurso no qual somos vistas como as mulheres que detêm um saber-poder que deva atingir as que não tem, que são mulheres alienadas das relações de poder que estão submetidas. Nós, feministas, também estamos inseridas nessas relações de poder e nos vemos em contradições pessoais e sociais que precisamos mudar.

Não propomos uma cruzada santa (ou mesmo profana) contra os homens ou a igreja de Cristo na Terra. O que propomos são relações mais saudáveis entre homens e mulheres, respeitosas, livres de violências e abusos. O que propomos é um caminhar lado a lado: nem abaixo dos homens, nem acima deles.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Com quais ingredientes se faz uma feminista?


Para alguns, adicionando uma dose de nazismo, pelos nas pernas e axilas, uma porção de “lesbianismo”, uma vontade de ser e tomar o lugar dos homens, autoritarismo, ateísmo, falta de Deus, de conversão ou do que fazer, loucura, masculinidade, comunismo e não aceitação dos papéis que a “natureza” ou Deus predeterminou.



Para uma boa dose de coletivos feministas, uma sororidade quimérica, uma necessidade de politização da vida social de outras mulheres e da própria vida, em todos os aspectos. A independência e a autonomia confundidas muitas vezes com autossuficiência. Uma mulher maravilha, quem sabe?



E o que eu acho que devam ser os ingredientes de uma feminista?

Os ingredientes que cada mulher puder ter em seu estoque pessoal, na própria dispensa. O fermento vai funcionando paulatinamente, pois ninguém já nasce feminista totalmente desconstruída. O combustível também depende de cada uma. Tem mulheres que usam combustível na escrita, outras nas ruas, outras na vida pessoal. O importante e o que faz ser feminismo é respingar esse combustível em outras mulheres.

Para ser feminista não existe receita. Basta não querer se sentir uma merda, um nada. Basta não querer carregar a culpa do mundo nas costas ou ser responsabilizada pela atitude dos outros. Basta olhar com desconfiança para o mito do gene sexual que TUDO manda em mim, controlando cada passo que dou, cada gosto, cada pensamento.



Você pode até se relacionar com um macho alfa. Pode até não ter a divisão sexual do trabalho doméstico dividida igualitariamente com seu parceiro. Pode até competir com outras mulheres vez ou outra sem se dar conta. Pode não conseguir educar seus filhos de forma totalmente desconstruída. Pode ser cristã, mãe, esposa, feminina.


O que une uma feminista a outra é que, primeiro, somos mulheres. Não nos conformamos com o machismo, ainda que não tenhamos a força suficiente para mudá-lo sequer em nossas vidas pessoais. Ninguém pode carregar nas costas o peso de mudar o mundo à sua volta porque ninguém tem esse poder. O que podemos fazer, no máximo, é sair questionando as coisas. Isso força as pessoas a se depararem com outros pontos de vista, mesmo que seja para reforçar esses mesmos pontos de vista. O que une também cada feminista é estar mergulhada em machismos e não se conformar com eles, mesmo num silêncio angustioso, profundo... Em casa, na rua, nas relações. Então, sinta-se à vontade para ser humana, real, falha, de carne e osso, com todas as suas fraquezas e, ainda por cima, feminista.  

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Carta ao Vitor III


Meu príncipe,

Difícil olhar para você, um pedaço da minha carne separado de mim, e vê-lo sentir dor. Quisera eu poder sentir por você. Quando você chora, parte o meu coração. Mesmo assim, espero que você aprenda a chorar sem medo quando precisar. Descubra que chorar, expressar o que sente, é coisa de homem, é normal, legítimo, é coisa de gente!

Você também vai entender logo que existem pessoas que te farão chorar. Escolha ser a pessoa que chora e não a que faz chorar. Sempre. Escolha ser um homem transparente, sincero, honesto, com caráter. Faça o certo mesmo que todos estejam fazendo o errado. Nunca tome o errado por certo. 



Um dia as escolhas vão deixar de ser brinquedos. Seja coerente com as suas escolhas. Não seja apenas um frequentador de igreja. Não seja apenas um aluno frustrado na faculdade. Não minta, não omita. Escancare quem você é. Não se esconda em tantas máscaras! 



Saiba que ser isso tudo tem um preço e que é difícil no mundo de hoje em que as pessoas costumam escolher várias vezes serem desonestas com as outras. Aprenda a não ser a pessoa que faz o mau à outra. Aprenda a amar! Paixão vem como um furacão e sai levando muitas coisas de você. Amor apenas soma. Paixão te arranca algo. Amor alimenta, une.



Um dia, meu querido, você vai preferir a dor das cólicas, do joelho ralado, do que a dor do coração, aquelas que não se vê e que às vezes não há remédio no mundo que faça curar, parar. 



Um dia talvez você deseje ser grande, adulto. Vou estar aqui para dizer que tenha muita calma, respire fundo e viva plenamente sua vidinha de criança. Você terá saudades dela. O mundo das pessoas adultas é confuso. Vou estar cada vez mais impotente para defender  você do mau que as pessoas podem te fazer. E elas vão te fazer, às vezes de onde você menos esperar. 

Você vai entender um dia que existem laços que não se rompem. Eu sou um desses laços para você. Existem outros como os castelos de areia que você fará na praia, tão frágeis, perecíveis e sujeitos às ondas do mar. O laço que nos une é o mais próximo do divino e não há amor no mundo comparado a esse.



Quando aprender as letrinhas, terá acesso a um mundo. Que esse acesso seja repleto de amor. Saiba que as palavras podem ter o poder de ferir outras pessoas, mas também libertar. Faça bom uso delas. Dentre elas escolha sempre o amor e as palavras gentis. 



Aprenda que você não é privilegiado no mundo por ter uma pintinha e ser homem. Ser homem não se resume a um genital tido como um troféu. Pintinhas são apenas pintinhas! 

A maioria das coisas que te falarem que é ser um homem, não acredite e nem queira ser. Vão te dizer para ser um "pegador", que arrasa o coração das mulheres. Você não precisa arrasar o coração de ninguém para mostrar quem você é ou para te dar a falsa sensação de ser feliz. Sua felicidade não pode depender de pisar em ninguém. O mundo pode ser melhor para as pessoas. Escolha fazer desse mundo algo melhor. Se você puder ser dessas pessoas, você já passou por aqui fazendo sua revolução pessoal. Não seja mais do mesmo. Dê um aignificado diferente para o que venha a ser um homem. Não herde essa cultura. Desenhe uma forma nova de ser. 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A mulher do cartaz de amamentação

Está estendido na parede dos hospitais, nas clinicas, exposto nas redes sociais, circulam campanhas de apoio à amamentação com mulheres de leite e seios fartos. A mulher sorri e acalenta um bebê em seus braços. Mãe e filho se olham, numa sintonia quase angelical. Com a imagem, todo um discurso: amamentar é cuidar, dar o melhor para o filho, nutrir, amar. Tudo isso dá a falsa impressão de que saindo da sala de parto o leite já escorre dos seios e o bebe já está preparado para a primeira sugada. Tudo seria natural, instintivo e perfeito. Então, vamos falar também das mães que não conseguem aleitar, porque essas também amam.



É preciso que se diga: o leite não sai de imediato, principalmente quando a mãe passa por uma cesarea. São dias de ansiedade e tensão entre mãe e bebê. Fala-se em três dias para o leite "descer", mas já ouvi relatos de 15 dias. São dias de choro da mãe e do bebê. As pessoas esperam visitar e encontrar a cena angelical: mãe amamentando filho. Algumas mães simplesmente não tem muito leite. Não importa se o peito é pequeno ou grande. O problema também é que vão acionar a máquina social da culpa. Ou você não insistiu o suficiente, ou não persistiu, ou é preciso haver succão, ou que absurdo dar a fórmula!...E haja rapadura preta, vitamina de doce de goiaba, cuscuz, todos os truques caseiros para "dar leite". Depois a culpa internalizada... a criança vai crescer saudável? Já vi crianças serem amamentadas por anos e depois terem sérias doenças, outras não serem e crescerem sadias. Tudo é tão relativo no mundo do maternar! 



Cada mulher vai encontrar sua forma de maternar. Não existe fórmula, prescrição. 

É isso uma das coisas que fazem as feministas serem tão odiadas e chatas. Elas tiram os veus das coisas que se mantem sob um manto quase que sagrado. Não toquem na maternidade! Não falem das verdades da amamentação! Não falem das verdades amargas do amor, do casamento e dos filhos. 

Contudo, está mais do que na hora dos nossos discursos serem mais realistas sobre as coisas, menos inventados e idealizados. Está na hora de sabermos de verdades duras, mas que precisam ser ditas, de lidarmos melhor com os sofrimentos, até aqueles esperados como falo aqui. Falarmos mais sobre as coisas talvez seja um caminho para as enfrentarmos melhor. Tanto sofrimento poderia ser evitado!



Então, amamentar é insistir e cada pessoa tem seu limite.. dói, sangra, cria cascas de ferida no peito, é cansativo. Algumas mães amamentam porque simplesmente não podem custear o leite de lata, alguns deles caríssimos. Não é opção para, imagino, muitas. O  termo "demanda livre" é estar amamentando quase de hora em hora. É ficar com um bebê por horas no peito, muitas vezes madrugada adentro. É sentir o olhar malicioso dos homens por aí ou reprovador e pudico das pessoas que te veem amamentar na rua. É ter febre porque o leite pedrou. É colocar ora compressas quentes, ora mornas. É sentir que teu peito virou algo meio público, as pessoas veem, manipulam. É dessexualizar o seio. É simplesmente não ver o leite descer e aguentar o choro inflamado do seu filho por dias e sofrer muito com isso. É quebrar o sonho e plano de querer ter podido amamentar. É sentir culpa por não conseguir. É chorar nos dias que o leite não desceu. É sentir-se um tanto quanto impotente porque a sociedade te faz acreditar que o amamentar é só aquela parte da mulher do cartaz com o filho nos braços. Também é. O fato é que não é só!

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Com certa idade você já não tem mais tanta paciência...

De disputar ninguém, nem ser disputada. Você quer é calmaria, “a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida”, como diz o Cazuza. Porque a mordida da música é o amadurecido, o vivido, aqueles amores saciados, que não tem mais a ansiedade de uma busca desenfreada que não tem fim. O que te satisfaz é um balanço de rede a dois assistindo programas clichês de domingo na televisão.


Ainda como diz a música, você quer é “transformar o tédio em melodia”. Entende como o tédio e a monotonia valem mais à pena que aquelas coisas que te deslocam de órbita, apesar de saber que às vezes são necessárias.

Para de tentar ser legal demais com todo mundo, principalmente com aquelas pessoas que te odeiam de graça. Sabe de uma coisa? A gente também tem o direito de não gostar, de não querer se entrosar, de não forçar a barra. Não tem mais paciência de tentar mostrar outra coisa de si, contra argumentar que não é o que parece ser. Você é o que é. Virou o rosto? Não respondeu a um bom dia? A vida segue! Para cada sorriso não retribuído há tantos outros “dos seus” que valem à pena!



Acredita menos em promessas, principalmente se elas são muito prontas. Do amor você não espera mais palavras bonitas, um “te amo” não te faz tremer as carnes como antes porque atitudes são a soma do amor.  

Não tem paciência de fazer estardalhaço na vida dos outros. Você se cala porque simplesmente algumas situações e pessoas não valem à pena e o esforço psíquico. Você sabe que o tempo e a vida cobram de cada um, você nem precisa ir cobrar você mesma a conta. Sabe que o dia das pessoas que fazem o mau às outras chegam e o preço é caro. Como diz o ditado, “a vingança é um prato que se come frio” e, não sei vocês, não quero me fartar de pratos frios. A própria vida ensina, deixe estar!



Já não tem mais paciência para tantas aparências. A vida é um ribombar de rasgos, erros, tropeços e acertos. A vida precisa de menos photoshop, filtros, biquinhos nas fotos e poses laterais para forçar a curva do bumbum. As pessoas deveriam é se mostrar mais cruas e reais porque são assim que são. As selfies passam a ser mais um espelho para a sua própria alma do que um veículo de curtida dos outros, uma propaganda de si mesma.  



Nem se preocupa tanto com o que as pessoas vão pensar, pois você paga muito caro pelo próprio nível de vida para que as pessoas ousem te apontar o dedo e te dar palpites sem que você peça. Aliás, sempre vão te apontar.



Não defende convicções e sim posições, entendendo que elas podem ser transitórias e abrindo-se ao novo, ao inusitado. 

Você estabelece prioridades de vida e elas passam a ser pessoas e cada vez menos coisas.



Entende que a inveja é um fenômeno tão antigo quanto a própria história da humanidade. Ela só tem valor na sua vida se você der valor a ela. Atribuir valor às coisas é dá poder a elas. Não é o facebook que irá atrair invejosos. Caim invejou Abel muito antes da era da tecnologia, vejam só! No fim das contas você percebe que a inveja é apenas um veneno para a própria pessoa.



Perfis de facebook são montagens de pessoas. Você não se surpreende com isso. Pessoas reais sofrem, temem, tremem.

Sabe também que as pessoas fora das redes geralmente são mais leves. Deixe-me ser redundante: são menos pesadas. São menos política e mais vida. Menos PT e Odebrecht e mais churrasco bem passado numa manhã de domingo em família. Menos Fora Temer e mais chacota da própria vida.

Por fim, entende que a falta de paciência para muitas coisas é um mecanismo de resguardar a si mesma, não exigir além da sua conta. É o limite que você estabelece entre o que pode ou não te afetar.